ÉPOCA DA COLHEITA

Por Pedro Fernandes Neto

Sobre o livro

Até que ponto as revoluções brasileiras podem ser consideradas burguesas? Será preciso entender melhor a de 1932 primeiramente.

A revolução de 1932, considerada por historiadores como Guerra Civil, independente dos fatores que a desencadearam, se deu na verdade, em consequência a interesses comerciais e políticos e não as promessas não compridas pelo governo provisório.

Do mesmo modo que um maestro ao rever uma partitura, quem se arrisca descrever fatos históricos usando a técnica romanesca, é obrigado a usar a temporalidade, com a mesma harmonia de quem conduz uma orquestra após afinação.

Os relatos apresentados têm de estar acordados com o enredo, se não, a musicalidade se perde diante dos ruídos. Esse é o perigo de quem se lança a mesclar história com fantasia em busca de uma possível verdade.

Entre digressões e contextualizações, o romance histórico peca na sua essência e nunca no seu contexto. A imaginação muitas vezes nos trai e nos faz retroagir, a tentativa de consertar a história é por demais perigosa. Pablo Picasso dizia: A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade.

Portanto, aos que vão se aventurar a ler “Época da Colheita”, esclareço que esse foi o caminho que encontrei para dizer na minha ótica, o que se deu entre 1932 a 1935: Os complôs, as cumplicidades, as paixões. Não que andasse a implorar que os fantasmas do passado tomem vida e nos faça ver aquela luz no final do Túnel da Mantiqueira, orientando que trilha; se seguir a Passa Quatro ou retornar a Cruzeiro.

Época da Colheita é um romance que trata de várias questões em um período significativo da história da nossa exausta República.

Vários enfoques são tratados, tendo como pano de fundo, a trajetória das famílias de emigrantes, alemães libaneses e judeus, todos eles, compromissados com sua nova pátria, o Brasil.

A história de Maria Emília (Emily), uma alemã naturalizada e Josá Abrahão Jacobs, um libanês, o capitão Abraão, personagens vítimas de suas tragédias, sem muita esperança no futuro, nem mesmo no amor que os unem.

O início é abril de 1933, na Serra de Petrópolis. A partir desse ponto, a estrutura narrativa se desenvolve, quando os dois personagens principais se conhecem e os fatos vão se sucedendo e sendo discutidos no campo político e cultural.

Retroage a guerra civil de 1932, aqui descrita baseado em estudos e pesquisas realizadas. Os problemas pós-guerra, entre os mesmos a contagem dos mortos e os acertos do armistício em busca de uma nova ordem constitucional.

Não poderia deixar de dizer, da dificuldade que tive em compor esse tema por demais conflitante. Resgatar mortos, torná-los vivos e operantes, vestindo-os com a mesma roupagem da época, entendendo seus sentimentos, ideais e ambições, não deixa de ser uma tarefa estafante.

Estamos no momento diante de uma situação semelhante no que se refere ao despropósito administrativo, econômico e social. Estamos diante do retrocesso, talvez mais atrasados que em 1930 e os fantasmas das revoluções perambulam pelas estradas desertas.

Recife, 27 de maio de 2018

O autor

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