Transformação Genética De Coffea Arabica Para Resistência A Broca-Do-Café – Aulus Estevão Anjos De Deus Barbosa

Transformação Genética De Coffea Arabica Para Resistência A Broca-Do-Café – Aulus Estevão Anjos De Deus Barbosa
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Resumo:

O café é consumido regularmente por cerca de 40% da população mundial, e sua comercialização gera anualmente US$ 70 bilhões, o que torna esta cultura a segunda maior “commodity” natural, atrás apenas do petróleo. Dentre os 49 países produtores de café, o Brasil é o principal, detendo 34% desta produção. No gênero Coffea são encontradas 104 espécies e subespécies, porém, somente as espécies Coffea arabica e Coffea canephora são comercializadas, ocupando 70% e 30% do mercado, respectivamente. A cultura do café é atacada por uma série de pragas agrícolas, com destaque para a broca-do-café (Hypothenemus hampei), que acarreta anualmente US$ 500 milhões em perdas. O controle desta praga é difícil, sendo baseado principalmente na aplicação de inseticidas organoclorados, os quais, além de caros, são carcinogênicos e tóxicos para o meio ambiente. Além disso, não existe resistência natural ao H. hampei em nenhuma das 104 espécies de café. Neste contexto, a aplicação da tecnologia do DNA recombinante pode proporcionar a inserção de genes de resistência contra a broca-do-café. Dentre os genes de resistência a insetos disponíveis, podese destacar os inibidores de alfa-amilase obtidos do feijão Phaseolus vulgaris, que foram eficientes em inibir as alfa-amilases de vários insetos que atacam sementes armazenadas, bem como da broca-do-café. Assim, este trabalho teve como meta introduzir em plantas de Coffea arabica o gene para o inibidor alfa-AI1, visando o controle do H. hampei. Para alcançar este objetivo, plantas de C. arabica foram transformadas pelo método de biobalística, bombardeando calos embriogênicos. Os calos transformados foram selecionados com o antibiótico canamicina e regenerados em meio de cultura. A inserção dos transgenes foi confirmada nas plantas de C. arabica com o uso das técnicas de PCR e Southern blot. A expressão do inibidor alfaAI-1 nas plantas foi confirmada por Western blot, quantificada por ELISA e sua atividade foi avaliada em um ensaio in vitro pelo método DNS. Os resultados dos experimentos de PCR e Southern blot mostraram que seis plantas foram transformadas com o gene para o inibidor alfa-AI-1. O Western blot das sementes feito em 3 plantas mostrou bandas com massa molecular próxima a 19kDa, indicando a expressão do alfa-AI1. A concentração do inibidor mensurada por ELISA nessas plantas mostrou que a expressão se deu em diferentes concentrações, que variaram de 0,03 a 0,29% do extrato total. No experimento de inibição in vitro, uma das plantas inibiu cerca de 88% das amilases do inseto. Com esses resultados, pode-se concluir que essas plantas transgênicas de café têm um alto potencial para o controle do H. hampei, e sua utilização trará vantagens como diminuição dos custos de produção e redução da poluição ambiental causada pelo uso de inseticidas.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UCB/CIÊNCIAS GENÔMICAS E BIOTECNOLOGIA
  • Área de Conhecimento: BIOLOGIA GERAL
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2009
  • Tamanho: 5.86 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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