Transformação Da Paisagem Em São Bonifácio – Sc: A Interface Entre A Percepção De Agricultores Familiares, As Práticas De Uso Do Solo E Aspectos Da Legislação Ambiental – Gisele Garcia Alarcon

Transformação Da Paisagem Em São Bonifácio – Sc: A Interface Entre A Percepção De Agricultores Familiares, As Práticas De Uso Do Solo E Aspectos Da Legislação Ambiental – Gisele Garcia Alarcon
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Resumo:

A presente pesquisa responde a demandas identificadas por agricultores familiares de São Bonifácio; relacionadas a legislação ambiental e seus impactos. Para promover o aprofundamento deste tema; optou-se por analisar a transformação da paisagem; procurando resgatar as formas de uso dos recursos naturais empregadas pelos agricultores do município. O objetivo da pesquisa é analisar a transformação da paisagem em São Bonifácio; considerando a interface entre a percepção de agricultores familiares; as práticas de uso do solo nas décadas de 1950; 1970 e 2000; e aspectos da legislação ambiental. A área de estudo do município é a microbacia do Rio Sete; que congrega a maior parte dos agricultores envolvidos na pesquisa. O enfoque analítico adotado foi o conceito de paisagem; onde esta é considerada como fruto das interações entre os recursos naturais (bióticos e abióticos); os fatores socioeconômicos e as significações (que respondem a um processo histórico-cultural) subjetivas dos agricultores familiares. A metodologia empregada adotou instrumentos da pesquisa qualitativa e quantitativa. Na pesquisa qualitativa optou-se por fazer entrevistas semi-estruturadas; observação direta e desenhos esquemáticos com idosos. A metodologia quantitativa contou com o uso de sistema de informações geográficas para a elaboração de mapas de uso e cobertura do solo e das áreas de preservação permanente (APP). Os resultados permitiram avaliar três períodos (1957; 1978 e 2002) distintos; no que tange ao uso do solo e dos recursos naturais. Na década de 1950 predominava a agricultura itinerante; com o uso do fogo; e as principais atividades produtivas eram a venda da banha e da carne do porco; da manteiga e queijo. Grande parte da produção da lavoura destinava-se ao consumo e; secundariamente; ä venda de alguns produtos para feiristas. Não havia quaisquer restrições quanto ao uso dos recursos naturais. Na década de 1970 as novas tecnologias (insumos e arado) modificaram as formas de uso do solo; reduzindo a necessidade de grandes áreas para a agricultura itinerante; o que provocou o aumento de 9% das florestas em estágio médio ou inicial. Do mesmo modo; intensificou-se a atividade madeireira; que agia diretamente sobre as florestas primárias ou em estágio avançado (registrou um declínio de 6%). A despeito da promulgação do Código Florestal; da criação do IBDF; da FATMA e do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro; as ações da fiscalização ambiental eram bastante pontuais e restringiam-se ä fiscalização das madeireiras. Na década de 2000; o declínio da suinocultura; o crescimento da bovinocultura de leite e o surdir do reflorestamento constituíram os principais motores de transformação no uso do solo na microbacia. A legislação ambiental sofreu muitos avanços no aspecto legal; embora sua efetiva implementação tenha se dado principalmente através de práticas coibitivas; gerando uma série de conflitos com pequenos produtores rurais. Quanto as APPs; as margens dos rios foram as que sofreram maior redução da cobertura vegetal; contemplando; em 2002; apenas 21% de sua área protegida por floresta. Em contrapartida; as APPs de nascente e de encosta possuem mais de 70% de suas áreas com cobertura vegetal.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFSC/GEOGRAFIA
  • Área de Conhecimento: GEOGRAFIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2007
  • Tamanho: 3.01 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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