Transferência De Funções Ordinais Através De Classes De Estímulos Equivalentes: Contribuições Para A Programação De Ensino De Adultos E Crianças Surdas E De Crianças Ouvintes – Ana Carolina Sella

Transferência De Funções Ordinais Através De Classes De Estímulos Equivalentes: Contribuições Para A Programação De Ensino De Adultos E Crianças Surdas E De Crianças Ouvintes – Ana Carolina Sella
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Resumo:

O ensino para surdos no Brasil prioriza; atualmente; a abordagem bilíngüe; em que se ensina a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como primeira língua; e a Língua Portuguesa escrita como língua instrumental. A aquisição adequada da Língua Portuguesa escrita pode ser dificultada em função das diferenças entre as estruturas ordinais-gramaticais da Língua Portuguesa escrita e da LIBRAS. A estrutura ordinal-gramatical da primeira é composta por sujeito-verbo-objeto; enquanto que a da LIBRAS permite o uso não apenas dessa; mas de diferentes combinações dos mesmos elementos. Tais diferenças costumam resultar; para os surdos; em um repertório de escrita da Língua Portuguesa com ordem gramatical diferente daquela utilizada pela comunidade verbal onde estão inseridos. A série de estudos aqui descrita investigou variáveis que controlam a transferência de funções ordinais através de classes de estímulos equivalentes. A estratégia geral adotada foi estabelecer três classes de estímulos impressos (nomes; verbos e advérbios) seguidas pelo ensino de uma seqüência nome→verbo→advérbio envolvendo um elemento de cada classe. No primeiro estudo da série; Estudo 1a; testou-se; através de tarefas de escolha de acordo com o modelo; o repertório inicial de dois participantes surdos em tarefas envolvendo relações entre figura-palavra impressa; sinal-palavra impressa; palavra impressa-figura; sinal-figura; palavra impressa-sinal e figura-sinal. No Estudo 1b; foram ensinadas as quatro primeiras relações supracitadas para os participantes que responderam com menos de 90% de acerto no Estudo 1a. No Estudo 1c; os mesmos participantes aprenderam duas novas classes de estímulos equivalentes: advérbios e distratores; que consistiram; respectivamente; em substantivos concretos referentes a lugares (p. ex.; fazenda) e objetos (p. ex. boné). Nos Estudos 2a e 2b; nos quais participaram duas adultas surdas; foram estabelecidas três classes de estímulos equivalentes com três membros e uma seqüência de estímulos envolvendo um único elemento de cada classe. Em seguida; verificou-se a transferência de funções ordinais para cinco outras seqüências; dentre oito novas seqüências possíveis. Nos estudos 3a; 3b e 3c; com novos participantes; aumentou-se para quatro o número de estímulos em cada classe equivalente antes de se ensinar uma seqüência de estímulos. Após o ensino de uma seqüência (A1→A2→A3); foi testada a transferência de função para sete novas seqüências; dentre 12 possíveis. Todos os participantes alcançaram o critério de aprendizagem nas tarefas de escolha de acordo com o modelo e no ensino de tarefas de seqüência. Nos testes de transferência de função; foi observada uma grande variabilidade nos dados: houve participantes que foram expostos ao ensino de uma seqüência antes de mostrarem transferência das funções ordinais; outros participantes foram expostos ao ensino de duas seqüências. Outros participantes mostraram emergência de comportamentos de seqüenciar sem serem expostos ao ensino destes. Discute-se 1) o uso de instruções acerca dos pares de estímulos nas tarefas de escolha de acordo com o modelo; 2) o fato de alguns participantes terem emitido respostas de seqüenciar antes que tivessem passado pelo ensino de seqüência e 3) o fato dos participantes terem emitido respostas que demonstram a generalização de comportamentos de seqüenciar para estímulos novos.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFSCAR/EDUCAÇÃO ESPECIAL (EDUCAÇÃO DO INDIVÍDUO ESPECIAL)
  • Área de Conhecimento: EDUCAÇÃO
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2009
  • Tamanho: 1.58 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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