Trajetórias De Uma Vida: Um Estudo Sobre A Complexidade Da Experiência Na Rua – Maria De Lemos Sobral

Trajetórias De Uma Vida: Um Estudo Sobre A Complexidade Da Experiência Na Rua – Maria De Lemos Sobral
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Resumo:

A dura realidade das crianças e adolescentes que vivem nas ruas há muito tempo chama a atenção da sociedade. Ao longo da história brasileira; diversas instituições se dispuseram a resolver o problema das crianças de rua; contudo; suas políticas de atendimento costumavam relacionar-se mais com os interesses da sociedade do que propriamente com as necessidades das crianças. Segundo Rizzini e Butler (2003); o avanço das pesquisas sobre o assunto permitiu perceber que o processo de apropriação da rua se constitui de maneira gradual e progressiva; incorporando-se ao sistema identitário da criança e do adolescente. Desse modo; considerado de maneira isolada; qualquer fator; mesmo que importante; não explica a complexidade do fenômeno. A trajetória seria; portanto; o elemento central que define o lugar que a criança ocupa na rua. O conhecimento dessa trajetória permite compreender a relação que a criança estabelece com a rua como seu espaço prioritário de vida. No presente trabalho; buscou-se compreender como se processam os vínculos das crianças e dos adolescentes com a família; com a rua e com as instituições que as assistem; bem como as implicações do contexto socioeconômico na construção desses vínculos. Foram analisadas as relações entre essas instâncias; de modo a compreender o lugar que elas ocupam nos processos de subjetivação dos sujeitos em questão. A metodologia adotada neste estudo foi a história de vida; tendo sido entrevistados três sujeitos – dois adolescentes e uma jovem – com vivência de rua. A partir das narrativas; buscou-se contribuir para o entendimento sobre as trajetórias de vida dos participantes; ao esclarecer quais os mecanismos por eles utilizados para incorporar ou rejeitar os significados psicossociais da rua. Os resultados sinalizam que as crianças e adolescentes que se envolveram com grupos na rua em seus percursos; demonstram mais dificuldade de romper com esse universo; haja vista a vinculação imaginária construída com os pares. Observou-se que; nesses grupos; os sujeitos costumam agir; preponderantemente; pelo registro das emoções; construindo; desse modo; uma aliança identitária de difícil ruptura. O convívio com outras realidades; diferentes daquelas experimentadas na rua; permite aos sujeitos a construção de novas referências identificatórias de modo a fragilizar a rua como um campo prioritário em suas vidas. Espera-se; com os resultados desta pesquisa; contribuir para a construção de práticas voltadas para a melhoria de vida das crianças e adolescentes em situação de rua.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFPE/PSICOLOGIA
  • Área de Conhecimento: PSICOLOGIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2008
  • Tamanho: 989.27 KB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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