Trabalho Noturno Em Saúde: Histórias De Mulheres Trabalhadoras De Enfermagem – Maria Lúcia Azevedo Ferreira De Macedo

Trabalho Noturno Em Saúde: Histórias De Mulheres Trabalhadoras De Enfermagem – Maria Lúcia Azevedo Ferreira De Macedo
Acessar

Resumo:

O trabalho noturno acompanha a história da humanidade e está presente no trabalho da saúde desde as suas origens. Este estudo teve por objetivo analisar como as trabalhadoras de nível médio de Enfermagem; que exercem suas atividades laborais em turno noturno em um pronto-socorro de um hospital público em Natal/RN; vivenciam cotidianamente seu trabalho no contexto de suas vidas. Trata-se de um estudo analítico com abordagem qualitativa. Constituíram-se; como colaboradoras desta pesquisa; quinze trabalhadoras de nível médio de Enfermagem – auxiliares e técnicas. Utilizou-se a história oral temática como referencial metodológico; estratégia de apreensão da realidade vivida a partir das narrativas dessas trabalhadoras. As informações foram obtidas por meio de um instrumento de entrevista semi-estruturada. As informações; resultantes das entrevistas; foram analisadas com o apoio do referencial teórico sobre o mundo do trabalho; trabalho em turnos e noturno e trabalho da mulher. A partir da análise dos resultados; constatou-se que o trabalho tem uma centralidade decisiva; com forte repercussão na dimensão da vida privada dessas trabalhadoras. Essa repercussão apresenta filigranas da divisão sexual do trabalho; com as implicações da condição da mulher trabalhadora; dona de casa; mãe de família; esposa e mulher. O trabalho no turno noturno possibilita a existência de dupla jornada de trabalho como forma de complementação salarial; com características precarizadas de trabalho; e traz implicações na vida dessas trabalhadoras nas esferas física; emocional; mental e social; como fadiga; estresse; doenças osteomusculares; distúrbios do sono; influências na vida afetiva e familiar; dificuldades de conciliar a vida social com o trabalho; além de o seu tempo livre ser consumido pelos afazeres domésticos e cuidado com os filhos; ou ocupadas com outro vínculo empregatício ou escala de trabalho. No que se refere à divisão sexual do trabalho da Enfermagem; os resultados indicaram: a inexistência de diferença salarial entre os sexos; quanto à oportunidade de acesso ao trabalho foram apontados aspectos específicos na Enfermagem; destacando-se que; em alguns casos; por terem maior força física; os homens têm mais oportunidades de trabalho; com relação ao acesso aos cargos ou chefias na Enfermagem; não houve diferenças. A análise das histórias possibilitou conhecer o alcance do trabalho noturno na vida das trabalhadoras; e aponta as dificuldades enfrentadas pela mulher em seu cotidiano; que tem como agravante o contexto do mundo do trabalho atual e a emergência da precarização do trabalho em Enfermagem; sendo necessárias as recomendações a seguir: desdobramento do presente trabalho; enfocando o estudo do dimensionamento de pessoal por turnos; sobrecarga de trabalho e absenteísmo no setor de pronto-socorro do hospital espaço dessa pesquisa; discussão de formas de combate à precarização do trabalho em saúde no Estado do Rio Grande do Norte; com envolvimento e participação ativa de todos os trabalhadores; fortalecendo suas entidades de classe na perspectiva de conquista de direitos trabalhistas; com o envolvimento; também; de gerentes e empresários nessa discussão; buscar formas de monitoramento e acompanhamento da saúde do trabalhador do setor saúde pelo Centro de Saúde do Trabalhador do Estado.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFRN/ENFERMAGEM
  • Área de Conhecimento: ENFERMAGEM
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2006
  • Tamanho: 1.02 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

Faça download do ebook em PDF: