Trabalho E Violência Em Adolescentes Estudantes: Uma Contribuição Do Enfermeiro – Marcia Elena Andrade Santos

Trabalho E Violência Em Adolescentes Estudantes: Uma Contribuição Do Enfermeiro – Marcia Elena Andrade Santos
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Resumo:

O presente estudo teve como objetivo geral investigar situações de trabalho e violência vivenciados por adolescentes estudantes de uma escola pública do município de Ipatinga-MG. Visou especificamente: (1) identificar e discutir o perfil de adolescentes escolares; trabalhadores e não trabalhadores; quanto a: sexo; idade; escolaridade; composição familiar; condições sócio-econômicas; lazer; saúde; tipo de ocupação; situações de trabalho; salário; vínculo empregatício e situações de risco ocupacional; (2) levantar e discutir os principais fatores determinantes da inserção dos adolescentes no trabalho; (3) Avaliar os tipos de violência vivenciados por adolescentes estudantes trabalhadores e não trabalhadores. Trata-se de um estudo descritivo; do tipo Survey que utilizou o modelo transversal de investigação; com abordagem e análise dos dados quantitativa. Para o calculo do tamanho da amostra foi considerado um erro amostral de 5% e um grau de confiança de 95%. Para coleta de dados foi utilizado um questionário aplicado; face a face; a 308 estudantes; de ambos os sexos; com idades entre 14 e 18 anos; trabalhadores e não trabalhadores de uma escola pública de Ipatinga-MG; no período de abril a agosto de 2008. Embora as mulheres fossem a maioria no grupo estudado (57;5%) na comparação com os homens (42;5%); o percentual de trabalhadores entre os indivíduos do sexo masculino (62;6%) foi maior que os do sexo feminino (48;6%). Grande parte dos jovens ocupados pertencia às raças preta e parda (42;8%). Os meninos foram as maiores vitimas dos acidentes ocupacionais (54;9%). A maioria dos adolescentes morava com os pais (67;5%); a renda familiar girava entre 2 e 6 SM e 55;4% alegaram ter uma ótima saúde. Os adolescentes ocupados declararam como fatores determinantes do seu ingresso precoce no trabalho: “Para ter dinheiro e ser independente” (29;7%); “Para ser alguém na vida” (19;9%); “Para aprender uma profissão” (16;2%) e “Para ajudar seus pais” (8;7%); dentre outras. Pôde-se constatar que o abuso psicológico obteve respostas positivas para 80% das categorias pesquisadas e o físico para 20%; revelando que a violência faz parte do cotidiano da maioria dos jovens estudados; independente do status de trabalho. Os perpetradores dos abusos foram os irmãos (47;5%); colegas da escola (42;3%); pais (30;9%) para os dois grupos; já os colegas de trabalho (6;9%); patrões (5;5%) e clientes (2;1%) apenas para os trabalhadores. Conclui-se que os resultados encontrados apontam para a existência do trabalho precoce e da violência entre o grupo estudado; tornando-se urgente repensar as políticas públicas de saúde e de proteção dos adolescentes; reconhecer e garantir os seus direitos de cidadania; promover fóruns de discussão sobre a temática e buscar envolver todos os atores; inclusive o Enfermeiro; no processo de promoção da saúde no trabalho do adolescente com o intuito de criar uma rede de proteção integral em favor da juventude.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UERJ/ENFERMAGEM
  • Área de Conhecimento: ENFERMAGEM
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2009
  • Tamanho: 1.28 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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