Trabalho E Saúde: Análise Psicodinâmica Em Uma Unidade Fabril Baseada Nos Princípios Do Toyotismo – Anderson Roik

Trabalho E Saúde: Análise Psicodinâmica Em Uma Unidade Fabril Baseada Nos Princípios Do Toyotismo – Anderson Roik
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Resumo:

O presente estudo procura demonstrar que a forma com que os homens trabalham, o modo como transformam a natureza, as relações sociais que estabelecem e a distribuição e troca de bens socialmente produzidos são determinantes para a saúde da classe trabalhadora. Que as transformações ocorridas no mundo do trabalho, como a suposta superação do modelo taylorista/fordista pelo sistema flexível, não se converteram em uma condição menos precária (mais humana) tampouco em garantia de saúde aos trabalhadores, conforme sugere o discurso hegemônico. Partindo dessa proposta optou-se pelo desenvolvimento de um estudo de caso em uma multinacional fundamentada nos princípios do toyotismo. Os elementos do campo empírico foram apreendidos através de uma abordagem qualitativa, orientada pelos pressupostos da abordagem da Psicodinâmica do Trabalho, permitindo a compreensão da relação trabalho-saúde, bem como dos aspectos objetivos e subjetivos que permeiam a organização do trabalho. No entanto, o caminho como era de se esperar, não foi fácil. A começar pela proibição da realização da pesquisa no interior da empresa que implicou em mudanças metodológicas. O método da Psicodinâmica do Trabalho não pôde ser aplicado em todos os seus aspectos como propostos originalmente: a demanda partiu do próprio pesquisador e as entrevistas foram realizadas individualmente. De qualquer forma, esse processo permitiu construir a realidade da classe operária, sua situação de saúde representada pela dinâmica de prazer e sofrimento no trabalho. A fala dos trabalhadores por sua vez não expõe o cunho transformador do trabalho, papel que de fato não exerce nas suas vidas. O toyotismo que, em tese, deveria corresponder a uma condição menos precária aos trabalhadores, não é capaz de eliminar o distanciamento entre o trabalho idealizado como fonte de realização humana e o trabalho imposto, forçado, fonte de exploração, sofrimento, mutilação e morte, expressão assumida sob a égide capitalista. O sentido de escravidão prevalece sobre o de emancipação. Mesmo não sendo possível estabelecer o espaço de discussão e, assim, criar condições para a mobilização coletiva, a defesa da proposta da Psicodinâmica do Trabalho como possibilidade para que os trabalhadores possam retomar suas condições de poder e articular o enfrentamento ao sistema de capital permanece.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UTFPR/ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
  • Área de Conhecimento: ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2010
  • Tamanho: 1.63 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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