Trabalho E Produção De Subjetividade No Mercado De Capitais: O Operador De Bolsa Em Análise – Adailton Clelio Moreira De Mello

Trabalho E Produção De Subjetividade No Mercado De Capitais: O Operador De Bolsa Em Análise – Adailton Clelio Moreira De Mello
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Resumo:

Esta pesquisa objetivou analisar o trabalho e a produção de subjetividade no mercado de capitais; através das atividades dos operadores de bolsa de valores. A sociedade industrial produzia um modo de subjetivação via trabalho; como a sociedade capitalista contemporânea o faz; só que de forma diversa. As intensas transformações na esfera do trabalho a partir do final do século XX trouxeram profundas repercussões na subjetividade e modos de ser; pensar e agir do trabalhador. O método utilizado para a coleta de dados foi a pesquisa qualitativa através de entrevistas semi-estruturadas. A partir da investigação realizada identificamos aspectos com relação à precarização do trabalho; imaginários; expressões simbólicas; influências do trabalho no cotidiano e alguns elementos dos sistemas defensivos destes profissionais; que permitem que o sofrimento; decorrentes das pressões e tensões; no desempenho de suas atividades sejam ressignificados possibilitando o prazer. Dentre as categorias elencadas; destacamos a urgência de enriquecimento; tempo e velocidade; exposição ao risco; esquecimento; flexibilidade e prospecção da novidade. No segmento da bolsa de valores o tempo implica uma contínua superação de limites que faz com que a vida como um todo; acabe colocando-se como refratária do tempo – o tempo hiper-produtivo. O trabalho; em conseqüência; invade todas as esferas da vida. A atividade pode ser vista como um constante desafio que leva a superação. O risco está intrinsecamente presente na atividade. Se o ganho aponta para a onipotência narcísica; a perda aponta para uma ferida narcísica. A análise do mercado de capitais permite inferir que dinheiro; tempo; espaço e velocidade articulam-se mutuamente para aplacar; em maior ou menor escala; as urgências nossas de cada dia. A sociedade de consumo contemporânea; marcada pela busca da satisfação instantânea; a busca desenfreada das emoções e a flexibilidade; encontra paralelo intenso na dinâmica do mercado de capitais. Conclui-se que os elementos centrais das categorias já se encontravam presentes nas bolsas; desde o século XIX. Desta forma; o que há de novo no contemporâneo é a intensificação desses elementos; que se estabelecem a partir da dinâmica do mercado de capitais. A intensificação promove uma nova forma de gestão do trabalho; com conseqüências para a vida e para a produção de subjetividade. O mercado de capitais coloca normas antecedentes para a sociedade; antecipa tendências; impactos e acontecimentos. Entretanto; a vida social tem uma normatividade que se dá para além da norma antecedente. Se não; teríamos que admitir que estaríamos de modo definitivo capturados pelos mecanismos do mercado de capitais e em maior instância do capitalismo financeiro contemporâneo; sem nenhuma possibilidade de ruptura ou transgressão. Todavia; como cada sistema de produção deve ser visto como um sistema que define modos de vida e produz subjetividades; entendemos que o mercado financeiro e de capitais; através de seus mecanismos e dinâmicas de negócios é um importante produtor do que poderíamos chamar de subjetividade capitalística da atualidade.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFF/PSICOLOGIA
  • Área de Conhecimento: PSICOLOGIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2008
  • Tamanho: 1.03 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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