Toxicidade Da Azotiaprina No Tratamento Da Doença De Crohn: Frequência, Abordagem E Evolução. – Marcia Valeria Colli

Toxicidade Da Azotiaprina No Tratamento Da Doença De Crohn: Frequência, Abordagem E Evolução. – Marcia Valeria Colli
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Resumo:

A doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal idiopática e de expressivo aumento em sua incidência nas últimas décadas. Apresenta manifestações clínicas proteiformes e potencial evolutivo incerto, muitas vezes fatal. Até o momento, não existe qualquer terapia curativa para esta afecção. A azatioprina (AZA) é uma medicação potente e eficaz, que tem sido largamente utilizada no tratamento de pacientes com DC que se tornam dependentes ou refratários aos corticosteróides. Entretanto, esta droga pode apresentar expressiva toxicidade. Para otimizar seus benefícios e minimizar os riscos, é importante que se conheça seu mecanismo de ação, o perfil de efeitos adversos, e como estes podem ser abordados. Objetivos: Avaliar a incidência, abordagem e evolução dos efeitos adversos da AZA no tratamento de pacientes com DC. Material e Métodos: Foram avaliados prospectivamente, de janeiro de 2002 a dezembro de 2006, 106 pacientes (45 homens e 61 mulheres, média de idade de 36,3 anos, variação 12-68 anos), portadores de DC em uso de AZA, atendidos no ambulatório de Doenças Inflamatórias Intestinais do Hospital Universitário da UFJF. Foram registrados por ocasião das visitas ambulatoriais, dados sóciodemográficos relevantes, características clínicas relacionadas à DC, dose e tempo de uso da AZA, e uso de drogas concomitantes direcionadas à DC. Todos os pacientes foram submetidos a rotinas laboratoriais para monitorização da toxicidade durante o tratamento. Assim, foram realizados hemogramas e dosagem de aminotransferases e amilase na inclusão ao estudo. A monitorização subseqüente envolveu hemograma a cada duas semanas durante oito semanas, e depois a cada um ou dois meses durante todo o período da terapia. Dosagem de aminotransferases foi realizada a cada três meses. Além disso, todos os pacientes foram alertados a retornarem prontamente em caso de dor faríngea ou qualquer outro sinal de infecção. Leucopenia foi definida pela contagem de leucócitos abaixo de 4.000 células/mm³ e leucopenia grave quando os mesmos estivessem abaixo de 2.000 células/mm3; trombocitopenia foi considerada quando a contagem de plaquetas foi inferior a 130.000 células/mm3. A AZA foi suspensa ou sua dose reduzida em caso de febre, doenças concomitantes ou toxicidade relacionada à droga. Para fins comparativos, os pacientes foram divididos em grupos com e sem a toxicidade a AZA. Resultados: 56 (52,7%) dos pacientes estudados apresentaram pelo menos um efeito adverso, requerendo redução transitória da dose da droga; 18 (17%) necessitaram suspender definitivamente o uso de AZA, geralmente devido a reações de hipersensibilidade. Náuseas e vômitos, frequentemente leves, ocorreram em 29 (27,4%); a raça negra e aqueles com comorbidades apresentaram mais intolerância gastrointestinal do que os brancos e aqueles sem outras doenças associadas (p=0,04). Leucopenia foi o efeito adverso mais freqüente, ocorrendo em 36 (34%). O tempo de uso de AZA foi maior em pacientes com leucopenia do que nos não leucopênicos (p=0,001), enquanto a dose média de AZA foi menor naqueles com leucopenia comparados aos não leucopênicos (p=0,005). Não houve infecções graves, neoplasias ou óbitos durante o tratamento com AZA. Conclusão: A AZA mostrou ser uma droga relativamente segura no tratamento da DC, desde que seja mantida supervisão clínica e laboratorial periódica durante todo o tratamento.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFJF/SAÚDE
  • Área de Conhecimento: MEDICINA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2008
  • Tamanho: 305.95 KB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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