Tolerância De Genótipos De Eucalipto Ao Glyphosate – Aroldo Ferreira Lopes Machado

Tolerância De Genótipos De Eucalipto Ao Glyphosate – Aroldo Ferreira Lopes Machado
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Resumo:

O glyphosate é o herbicida mais utilizado no manejo de plantas daninhas na cultura do eucalipto. Por ser um herbicida não seletivo para a cultura, vários são os problemas, quando ocorre contato, seja pela deriva ou aplicação incorreta deste produto com plantas de eucalipto. Na literatura, poucos são os trabalhos realizados para elucidar a tolerância diferencial de genótipos de eucalipto a este herbicida. Neste sentido, objetivou-se neste trabalho avaliar a tolerância de clones de eucalipto ao glyphosate, bem como a absorção, translocação e exsudação radicular e alterações fisiológicas em plantas de eucalipto submetidas ao contato com o glyphosate. Foram conduzidos três experimentos em casa de vegetação. O efeito do glyphosate sobre o crescimento e desenvolvimento de genótipos de eucalipto foi avaliado em mudas transplantadas, padronizadas, de 15 clones de eucalipto, em esquema de blocos casualizados com quatro repetições. Aos 30 dias após o transplantio (DAT) foi realizada a aplicação do glyphosate na dose de 172,8 g ha-1 em metade do número de plantas de cada clone e a outra metade não recebeu o herbicida, sendo considerada testemunha. Foram realizadas avaliações visuais de intoxicação e aos 45 dias após aplicação (DAA), a medição da altura das plantas e da massa seca da parte aérea. A absorção, a translocação e a exsudação radicular de glyphosate foram avaliadas em dois clones usando o 14C-glyphosate, observando a radioatividade do 14C, nos diferentes tecidos da planta, bem como na água de lavagem das folhas e solução nutritiva, nos intervalos de 0, 2, 8, 32 e 72 h após a aplicação do herbicida. As características associadas à eficiência fotossintética e ao uso da água pelas plantas, submetidas ao glyphosate foram avaliadas em um experimento conduzido no esquema fatorial 4 x 5, com quatro clones de eucalipto e cinco doses de glyphosate e uma testemunha sem herbicida, considerada dose zero, com quatro repetições. Aos 7 e 21 DAA, utilizando-se um analisador de gases no infravermelho (IRGA), marca ADC, modelo LCA 4, foram realizadas avaliações da taxa de fluxo de gases pelos estômatos (U), taxa fotossintética (A), taxa de condutância estomática (Gs), taxa de transpiração (E), sendo calculada a eficiência do uso da água (WUE). Aos 50 DAA, verificou-se diferença quanto à tolerância ao glyphosate entre clones de Eucalyptus grandis e de híbridos provenientes do cruzamento entre Eucalyptus urophylla X Eucalyptus grandis, sendo os clones C3733, C3748, C3837 e C4143 menos tolerantes, enquanto os clones 57, 1213 e C3635 foram mais tolerantes ao herbicida. O clone 531 apresentou menor absorção do herbicida em relação ao clone 2277 e não houve diferença entre os clones quanto à translocação e a exsudação radicular do herbicida pela planta. Não houve diferença entre clones quanto a intensidade fotossintética, condutância estomática, transpiração e eficiência no uso da água, quando submetidos ao contato com o glyphosate. Com incremento da dose do herbicida houve maior redução na condutância estomática, taxa de fluxo de gases pelos estômatos, taxa fotossintética e eficiência do uso da água para os clones 57, 386, 1203 e 1213. Conclui-se que genótipos de eucalipto possuem tolerância diferencial ao glyphosate, podendo, em situações de aplicações incorretas ou ocorrência de deriva do produto, ocorrer morte de plantas e redução no estande da cultura. Por isso cuidados devem ser tomados com o uso desse produto de modo a reduzir possíveis danos, principalmente devido às falhas na aplicação.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFV/FITOTECNIA (PRODUÇÃO VEGETAL)
  • Área de Conhecimento: AGRONOMIA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2009
  • Tamanho: 379.18 KB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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