Thomas Hobbes: Do Movimento Físico À Fundação Do Estado – Maria Eliane Rosa De Souza

Thomas Hobbes: Do Movimento Físico À Fundação Do Estado – Maria Eliane Rosa De Souza
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Resumo:

O presente trabalho objetiva oferecer uma análise e uma interpretação da teoria política de Thomas Hobbes à luz da ciência do século XVII e das descobertas operadas pela física moderna em sua junção com a matemática. O texto se inicia com a abordagem do solo histórico sobre o qual se situa a filosofia de Hobbes; sobretudo com Euclides e Galileu; e caminha na direção da transposição dos movimentos físicos dos corpos para a fundação do estado civil. Destaca-se uma noção de filosofia que parte de uma base lógico-proposicional e material para; então; chegar a uma teoria política configurada na positividade formal da lei e no ordenamento jurídico do Estado. Da apropriação da tradição científica moderna; emerge uma nova imagem do homem que; apesar de racional; está submetido a movimentos inerciais no sentido mais laico do termo. Tais movimentos revelam a complexa e conflitiva condição a que está submetida a natureza humana; pela potencial guerra de todos contra todos. Como solução para essa questão; Hobbes propõe uma teoria política pautada no acordo das vontades e na transferência mútua de direitos; transpondo elementos da filosofia natural para a filosofia civil; sobretudo na adequação da lei da queda livre dos corpos e do princípio da inércia aos movimentos dos corpos humanos na vida em sociedade. Nessa configuração; o homem faz; de um lado; a guerra em nome da sobrevivência e; de outro lado; cria o Estado como fruto de sua vontade num intrincado cálculo que traça  muito mais do que a guerra  os melhores caminhos rumo à preservação e à paz. O que está pressuposto na teoria política de Hobbes é a análise do fisicalismo dos corpos e sua regulamentação externa pelo estado absoluto. Tal fisicalismo; no entanto; ao mesmo tempo em que representa a base sobre a qual se sustenta o modelo de Estado hobbesiano; nos leva a identificar os limites dessa teoria política; que pode não dar conta do fisicalismo radical identificado na origem dos corpos. A apropriação desses elementos nos permite afirmar que o modelo político apresentado por Hobbes funda direitos e deveres num contrato de justificação da soberania dado pela vontade e autorização; cuja marca principal é a defesa. O Estado; não obstante à sua face absoluta; apresenta-se como um construto artificial universal que agrupa a diversidade; abrindo os caminhos da autorização política e da obrigação moral.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: PUC/RS/FILOSOFIA
  • Área de Conhecimento: FILOSOFIA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2008
  • Tamanho: 1.25 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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