Socialidade E Acesso A Recursos Alimentares Por Fêmeas De Sagüis (Callithrix Penicillata) Em Grupos Em Ambiente Natural – Ita De Oliveira E Silva

Socialidade E Acesso A Recursos Alimentares Por Fêmeas De Sagüis (Callithrix Penicillata) Em Grupos Em Ambiente Natural – Ita De Oliveira E Silva
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Resumo:

O sagui do cerrado ou mico estrela (Callithrix penicillata) é um primata bem descrito para suas características fisionômicas; mas as características sociais; comportamentais e reprodutivas específicas são pouco conhecidas. Poucos são os trabalhos sobre a ecologia comportamental que abordam a socialidade deste calitriquídeo. Vivendo em um ambiente com marcante variação sazonal de chuvas e seca; com reduzida oferta de recursos; acredita-se que o C. penicillata desenvolveu mecanismos comportamentais flexíveis para a reprodução. Estes mecanismos são particularmente intrigantes; quando se considera o alto custo reprodutivo para fêmeas; um sistema de acasalamento monogâmico; o cuidado da prole estendido e o sistema hierárquico em que fêmeas subordinadas não se reproduzem. Este estudo objetivou investigar os mecanismos de hierarquização social em fêmeas de C. penicillata; com ênfase nos comportamentos sociais; na exploração de recursos alimentares e uso do espaço. Dois grupos de sagüis do cerrado foram observados pelo método de animal focal e registro instantâneo; de janeiro de 2006 a outubro de 2007; em diferentes fases do dia; no Jardim Botânico de Brasília. Foi observado o comportamento alimentar; o comportamento social e o uso do espaço de três fêmeas adultas de cada grupo. No primeiro grupo; duas fêmeas; uma considerada dominante e a outra subordinada; reproduziram. No segundo grupo; somente uma fêmea reproduziu e as relações de dominância foram menos freqüentes e explícitas. Embora a primazia alimentar por parte das fêmeas reprodutoras não tenha sido estatisticamente evidenciada; dominantes utilizaram-se da primazia de acesso a recursos alimentares; realizando maiores taxas de agonismo. Em ambos os grupos ocorreu o cleptoparasitismo em um teste com suplementação artificial com bananas. Embora as fêmeas dos dois grupos; principalmente a do grupo 1; apresentem maiores níveis de agressão; diferenças no perfil hormonal (estrógenos; progesterona e cortisol) não foram observadas; num contexto geral. Reprodutoras; no entanto; possuem maiores níveis de progesterona fecal quando comparadas a não reprodutoras. Sendo assim; as reprodutoras; as quais as demandas da reprodução são maiores; devem adotar estratégias comportamentais diferenciadas para a obtenção de recursos que possam suportar o alto custo reprodutivo. Estas estratégias não se refletem no perfil hormonal e nas freqüências dos comportamentos alimentares; mas sim nos comportamentos sociais e em um uso espacial e temporal flexível dos recursos alimentares oferecidos. Na árvore de goma; o comportamento das fêmeas reprodutoras dentro de um mesmo grupo foi similar; porém a subordinada pareceu variar espaço temporalmente no uso dos recursos como a goma de forma a não disputar o mesmo recurso com a dominante. Além disso; a fêmea reprodutora parece assegurar o consumo da melhor goma a ser consumida por chegar primeiro à arvore e por utilizar preferencialmente os locais da árvore com maior número de escarificações ativas e mais seguras em relação a predadores. Fases de maiores e menores demandas energéticas; devido ao alto custo reprodutivo; não alteram o comportamento das fêmeas na arvore. As fêmeas apresentaram comportamentos e uso do espaço semelhantes em ambas as estações; com exceção de que o comportamento parado foi maior na estação seca. A área de uso parece ser bem delimitada para cada grupo e não parece sofrer variações em função da sazonalidade. Maiores freqüências do comportamento parado na estação seca podem estar relacionadas a fatores como a termoregulação ou a predação. As freqüências para cada um dos comportamentos realizados pelas fêmeas parecem indicar que cada animal possui uma estratégia individual diante das oscilações ambientais e sociais Estudos abordando as relações entre o comportamento de machos e fêmeas; outros aspectos fisiológicos (peso; hemograma; parasitologia) e ainda o grau de parentesco entre os animais de um determinado grupo e entre grupos que utilizam uma mesma área podem auxiliar na complementação dos resultados aqui descritos.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UNB/BIOLOGIA ANIMAL
  • Área de Conhecimento: BIOLOGIA GERAL
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2008
  • Tamanho: 4.88 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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