Sobrevivência Ao Câncer Na Infância: Uma Investigação Sobre O Estresse Pós-Traumático Da Criança E Sua Percepção Acerca Da Experiência Parental – Camila Tokarski Boaventura

Sobrevivência Ao Câncer Na Infância: Uma Investigação Sobre O Estresse Pós-Traumático Da Criança E Sua Percepção Acerca Da Experiência Parental – Camila Tokarski Boaventura
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Resumo:

Nas últimas décadas, paralelamente ao aumento progre ivo das taxas de cura em Oncologia Pediátrica, evidencia-se um crescente intere e pela investigação acerca da sobrevivência ao câncer na infância. Diversos trabalhos constatam que as vivências a ociadas ao acometimento e enfrentamento de um câncer ne e período do desenvolvimento apresentam significados adversos à criança e seus familiares. Entretanto, mais estudos são nece ários para que se ampliem o conhecimentos teóricos e práticos sobre os efeitos de a experiência após o tratamento. Mais especificamente, o estre e pós- traumático tem sido apontado como uma das po ívei conseqüências tanto para os sobreviventes, quanto para seus familiares. Alguns autores consideram, inclusive, que o estre e pós-traumático é um modelo de ajustamento que “captura” a natureza traumática do câncer infantil. Considerando, portanto, as evidências reunidas em pesquisas anteriores, realizou-se uma investigação de natureza descritiva e exploratória, objetivando descrever, analisar e compreender tal experiência pelo sobrevivente de câncer, enfatizando-se aspectos referentes à percepção da criança sobre a experiência dos pais e a avaliação de Desordem do Estre e Pós-traumático infantil. Para tanto, foi elaborado um roteiro de entrevista semi-estruturada e adotou-se o Posttraumatic Stress Disorder Reaction Index, destinado a identificar Desordem de Estre e Pós-traumático e sintomas em crianças submetidas a traumas graves. Como critério de inclusão, estipulou-se o período de um ano no mínimo fora de tratamento, considerado pela literatura como o intervalo mínimo para caracterizar um sobrevivente. Com relação à idade, utilizou-se o critério de no mínimo cinco anos durante mais da metade do período de duração da doença, sendo que pesquisas têm mostrado que a partir de a faixa etária é maior a suscetibilidade ao estre e pós- traumático. Para seleção dos participantes, foi feito um primeiro contato com os sobreviventes e seus responsáveis no ambulatório do Hospital de Apoio de Brasília. Em seguida, foi realizada uma visita domiciliar para cada participante. Para análise dos dados, procedeu-se à análise de conteúdo temática dos relatos e seguiram-se as recomendações previstas no manual do PTSD Reaction Index. Os dados relativos à categoria sobrevivência ao câncer na infância e o escore total de gravidade de PTSD foram comparados entre si. As taxas de diagnóstico total e parcial de Desordem de Estre e Pós-Traumático foram modestas, de acordo com o que a literatura prevê em casos semelhantes. Além di o, as taxas de sintomas de estre e pós-traumático também foram baixas. Já o diagnóstico parcial de PTSD correlacionou-se positivamente com a idade do paciente oncológico por ocasião do diagnóstico e negativamente com a duração da doença, sendo que a correlação entre a idade da criança e o diagnóstico de PTSD parece demonstrar a maior suscetibilidade das crianças mais velhas ao estre e pós-traumático. Também foi possível caracterizar e a experiência a partir dos dados das entrevistas realizadas: a) a mãe como principal acompanhante, b) as reações emocionais positivas suscitadas pela alta, c) as reações negativas desencadeadas pelo diagnóstico, e d) as dificuldades com relação ao ambiente e à rotina hospitalares. E a percepção da criança sobre a experiência parental corroborou evidências apontadas pela literatura especializada, inclusive em relação àquelas referentes aos pais. Por fim, foi possível sugerir uma possível relação entre o modo como a experiência parental é percebida e o escore total de gravidade de Desordem de Estre e Pós-traumático nas crianças, especialmente quanto ao paradoxo recidiva versus cura e o contexto hospitalar e de doença como gerador de reações negativas nos cuidadores.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UNB/PROCESSOS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO E SAÚDE
  • Área de Conhecimento: PSICOLOGIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2009
  • Tamanho: 1.08 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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