Sob A Regência Do Medo: Imprensa, Poder E Rebelião Escrava Na Corte Imperial, 1835 – Daniel Mandur Thomaz

Sob A Regência Do Medo: Imprensa, Poder E Rebelião Escrava Na Corte Imperial, 1835 – Daniel Mandur Thomaz
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Resumo:

Esse trabalho estuda o medo de levantes escravos através de discursos e políticas públicas publicadas na imprensa do Rio de Janeiro. Seu objetivo é analisar, através do tema do medo, as discussões sobre a escravidão no período regencial do Brasil (1831-1840). A repercussão na imprensa do Rio de Janeiro do levante Malê, ocorrido na Bahia em 1835, gerou uma ambiência de medo e paranóia capaz de legitimar ações violentas e arbitrárias contra toda a população negra. A constatação crassa da capacidade estratégica envolvida na articulação da revolta causou uma fissura no discurso que interditava ao negro a capacidade intelectual. A hipótese principal é de que o grande medo que varreu 1835, determinando medidas jurídicas, políticas e policiais, foi fruto desse fenômeno, cujo efeito será a construção de uma ambiência de medo e paranóia generalizada, que chamaremos de zona de tensão permanente. Essa zona de tensão possibilitou a apropriação do medo por diferentes tendências políticas. O medo produziu efeitos heurísticos, na medida em gerou discursos que buscavam nomear as ameaças à sociedade e apontar medidas cabíveis para saná-las. Além disso, o medo produziu efeitos políticos, na medida em que gerou políticas públicas para desarmar o perigo de levantes na Corte. Em última análise, o discurso que defendia a vinda de colonos europeus tornou-se generalizado. Essa medida, defendida como fórmula para acabar com a escravidão, é entendida como forma de postergar a abolição e garantir a continuidade do lucrativo comércio de escravos.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UERJ/HISTÓRIA
  • Área de Conhecimento: HISTÓRIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2009
  • Tamanho: 689.92 KB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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