Sistemática E Análise Cladística Das Espécies Neotropicais Do Gênero Tunga Jarocki, 1838 (Siphonaptera: Tungidae) – Daniel Moreira De Avelar

Sistemática E Análise Cladística Das Espécies Neotropicais Do Gênero Tunga Jarocki, 1838 (Siphonaptera: Tungidae) – Daniel Moreira De Avelar
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Resumo:

Com a finalidade de se realizar uma revisão sistemática e análise cladística do gênero Tunga Jarocki; 1838; em especial das espécies da região neotropical; os seguintes procedimentos foram feitos: descrição morfológica comparativa das fêmeas; levantamento dos registros de localidades e de hospedeiros; análises filogenéticas (molecular e morfológica) das espécies de Tunga. Foram utilizados exemplares depositados nas coleções de Ectoparasitos do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte) e do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (São Paulo); além de uma extensa consulta à literatura científica sobre Tunga. A partir da análise morfológica comparada; as seguintes estruturas ou relações morfométricas entre elas; foram; pela primeira vez; utilizadas para propósitos taxonômicos nas espécies de Tunga: quetotaxia do segmento antenal III [T. travassosi Pinto & Dreyfus; 1927; T. caecata (Enderlein; 1901) Jordan & Rothschild; 1921]; forma do lobo póstero-dorsal do proepímero (T. bondari Wagner; 1932; T. travassosi; T. terasma Jordan; 1932; T. caecata); disco caudal – quetotaxia das placas supra e subanal [T. penetrans (Linnaeus; 1758); T. trimamillata Pampiglione; Trentini; Fioravanti & Onore; 2002; T. bondari; T. travassosi; T. terasma; T. caecata]; relação de comprimento entre os braços anterior e posterior da esclerotização interna pré-oral (T. bondari; T. travassosi; T. terasma); relação de comprimento entre bulga/hila (T. bondari; T. travassosi; T. terasma; T. caecata; T. penetrans; T. trimamillata). A análise dos espécimes depositados nas duas coleções; também permitiu constatar uma nova espécie de Tunga; descrever o neosoma de T. bondari e redescrever a fêmea hipertrofiada de T. travassosi de acordo com os atuais critérios morfotaxonômicos. Uma chave para identificação das espécies conhecidas de Tunga também foi incluída neste trabalho. Pela primeira vez; Akodon cursor; Delomys sublineatus; Nectomys squamipes; Oryzomys nigripes; Oxymycterus sp.; Rhipidomys mastacalis e Zygodontomys sp. foram registrados como hospedeiros de T. caecata e Tamandua tetradactyla; como hospedeiro de T. penetrans. A associação dos tungídeos com os seus respectivos hospedeiros evidenciou processos de co-acomodação (T. caecata em vários gêneros de roedores); bem como de co-evolução (Tunga sp. nov. em Delomys; T. bondari em Tamandua). Na análise molecular; a aplicação de um kit baseado em “Multiple Displacement Amplification”; como uma etapa anterior à utilização da reação em cadeia da polimerase; permitiu amplificar a região mitocondrial 16S rDNA em 24 amostras (92;3%); com diferença estatística significativa; já que uma das amostras amplificadas havia sido originalmente coletada em 1909. Tanto os cladogramas resultantes da análise morfológica quanto da análise molecular foram os primeiros inferidos envolvendo espécies deste gênero. Na molecular; utilizou-se a região mitocondrial hipervariável 16S-rDNA de várias espécies de Tunga confirmadas morfologicamente. As seqüências nucleotídicas do segmento hipervariável das espécies T. bondari; T. terasma; T. travassosi; T. caecata e Tunga sp. nov. foram as primeiras dadas ao conhecimento. A comparação entre as análises filogenéticas (molecular e morfológica) permitiu identificar uma divisão das espécies de Tunga em dois clados maiores; divergindo apenas quanto à posição de T. bondari (mais próxima filogeneticamente de T. penetrans; T. trimamillata e T. terasma na análise molecular; enquanto que na análise morfológica mostrou-se no mesmo grupo de T. travassosi; T. caecata; T. monositus e Tunga sp. nov.). Ambas as análises demonstraram que os grupos “penetrans” e “caecata”; rotineiramente considerados pelos sifonapterologistas; não são monofiléticos; o que também foi evidenciado no cladograma construído por meio das associações tungídeos/hospedeiros.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFMG/PARASITOLOGIA
  • Área de Conhecimento: PARASITOLOGIA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2010
  • Tamanho: 21.83 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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