O Deops/Sp Na Era Vargas: Modernização Institucional E Práticas Tradicionais De Atuação Policial No Controle E Na Repressão Sobre O Movimento Operário – Marcos Tarcisio Florindo

O Deops/Sp Na Era Vargas: Modernização Institucional E Práticas Tradicionais De Atuação Policial No Controle E Na Repressão Sobre O Movimento Operário – Marcos Tarcisio Florindo
Acessar

Resumo:

O presente trabalho analisa as práticas e as técnicas de vigilância, investigação e contenção desempenhadas pela Delegacia de Ordem Política e Social de São Paulo no controle da questão social e da repressão às dissidências políticas durante a vigência da Era Vargas. Este órgão policial especializado foi criado em 1924, quando Washington Luís (futuro Presidente da República deposto na revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder) ainda ocupava o posto maior no executivo estadual paulista. Sua incumbência era conter qualquer distúrbio de origem político-social que propugnasse transgressões à ordem pública consignada pelas normas do poder vigente. Desde sua formação, passando por todo o período cronológico definido para esta pesquisa, o DEOPS/SP1 notabilizou-se como instituição emblemática para a formação dos padrões norteadores dos modos e meios de atuação da moderna polícia judiciária paulista. No âmbito da polícia civil, a formação de delegacias especializadas – divididas em departamentos que cuidavam da prevenção e da repressão às diversas modalidades da contravenção e do crime – representou o esforço governamental em adequar a organização policial e as práticas de policiamento no sentido das proposições de polícia moderna, oriundas dos centros mais adiantados do capitalismo. Assim como nesses centros irradiadores das reformas, a criação da moderna polícia correspondeu à necessidade de adequar as formas do controle social aos imperativos colocados pela modernização da sociedade. A modernização capitalista da sociedade, alterando os padrões de produção por meio da industrialização, quando se instaura, traz em seu bojo implicações e conseqüências difíceis de serem previstas ou controladas pelas elites no poder. Estas podem ser mesmo arrastadas para o ostracismo político, em meio ao complexo conjunto de mudanças que acompanham os variáveis e diversificados processos de transformação social, denominados genericamente de “revolução burguesa”. A modernização da produção e a proliferação fabril implicam em deslocamentos populacionais, promovendo o crescimento das cidades, fazendo despontar a sociedade de massas. Ela amplia a diferenciação social a partir do surgimento de novas formas de divisão do trabalho, afetando as velhas hierarquias de comando e de subordinação. A crescente circulação de pessoas, mercadorias e informações, as quais acompanham a formação de novos mercados e a intensificação da concorrência, recriam os padrões de conduta social. Cresce a demanda pelo “desencantamento do mundo”, preconizada por Max Weber (o que pode ser percebido na laicização da política, do saber e mesmo dos comportamentos sociais, cada vez mais “racionalizados” e “autocontrolados”). A intensificação dos conflitos sociais, em meio a decadência das velhas relações de poder (baseadas nas diferenciações do sangue e do nascimento), e o surgimento de novos atores sociais – como a classe operária – exigem ampliar o papel do Estado no controle do corpo social. Surgem novos alicerces para o exercício legítimo da dominação política, baseados no próprio ideário burguês da igualdade jurídica e da aplicação “imparcial” das leis.2 Embora os processos de modernização capitalista ocorram de maneira desigual e conforme mecanismos de difusão muito variáveis (importando mais em rupturas e conflitos do que em continuidades pré-determinadas), a formação da classe operária circundando as periferias das cidades – acompanhada da crescente percepção, por parte das autoridades, de sua importância econômica e força política – colocou para o Estado a tarefa de aperfeiçoar o funcionamento de seu órgão público de vigilância e contenção, adequando-os também às novas proposições da dominação política e econômica. Da mesma maneira que a expansão do “populacho” das cidades implicou em incertezas e temores em relação à promoção de desordens políticas e sociais, a solução encontrada pelas autoridades governamentais foi a promoção e a expansão da formação de forças policiais devidamente burocratizadas, controladas por normas legais e regulamentos disciplinares. A modernização da polícia envolveu a elaboração da carreira e a especialização da “profissão” policial, cujo desempenho, no controle dos espaços sociais, devia estar abalizado por teorias e técnicas de caráter científico (caso da criminologia, da antropometria, da balística, entre outras). A ampliação dos tentáculos da organização, relacionadas ao aumento das demandas do policiamento moderno…

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UNESP/ARAR/SOCIOLOGIA
  • Área de Conhecimento: SOCIOLOGIA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2007
  • Tamanho: 3.22 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

Faça download do ebook em PDF:

Recomendamos para você

Abaixo você vai encontrar uma lista de livros que na nossa opinião podem ser interessantes para você.

São itens relacionados a esta oferta que você provavelmente vai gostar. Dá uma olhada! 👌

Termos relacionados

  • livro O Deops/Sp Na Era Vargas: Modernização pdf
  • livro O Deops/Sp Na Era Vargas: Modernização baixar
  • livro O Deops/Sp Na Era Vargas: Modernização epub
  • livro O Deops/Sp Na Era Vargas: Modernização comprar
  • livro O Deops/Sp Na Era Vargas: Modernização online
  • livro O Deops/Sp Na Era Vargas: Modernização mobi
  • livro O Deops/Sp Na Era Vargas: Modernização download