O Corpo Do Sujeito: Escuta Sensível Na Clínica – Lísia Maria Filgueiras Rodrigues Wheatley

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Resumo:

Freud aprende muito cedo com as histéricas que não há como se negar o corpo no discurso de um sujeito; e estabelece desde os primórdios uma concepção de corpo representado; imaginado; que não corresponde ao corpo anatômico e fisiológico. Ao acolher esse corpo histérico; e não tomá-lo como um puro organismo; Freud pode escutar; para além do corpo; o sujeito. Nessas pacientes; o corpo apresentava sintomas dizendo aquilo que de outro modo parecia não ser permitido dizer. Isto é; tais sintomas não se mostravam ao alcance da cura ou do tratamento propostos pelo saber médico. Se podemos ir um pouco além; o sintoma histérico justamente vinha apontar uma falta no discurso da medicina. A partir do momento em que a Psicanálise descortina os efeitos de um inconsciente sobre o corpo; passa a conferir a este corpo o estatuto de representação no qual a leitura dos sintomas revela a história singular do sujeito. A vida caminha e com ela o sujeito; que comparece com seu sintoma. Será que as histéricas clássicas se foram com seu tempo? Será que podemos considerar as depressões graves; as anorexias e bulimias; as síndromes do pânico; os transtornos de déficit de atenção como novos sintomas? De todo modo; penso que novos códigos (um código é sempre novo até que seja decifrado) parecem ser impostos pelas doenças trazidas no corpo; que muitas vezes se negam ao deciframento e impõem um desafio aos psicanalistas. Mas não estará mesmo o analista sempre lançado ao desafio? A palavra é; afinal; a via privilegiada de trabalho para Freud; e é neste caminho que se propõe a tratar de casos em que a medicina tradicional falha. Mas; se o tratamento se faz pela palavra; é preciso entender a estrutura que aí se apresenta. Ao ouvir seus pacientes; Freud traz a importância do significante; e sua supremacia. É Lacan que tratará mais especificamente de desenvolver a lógica do significante; a partir da leitura em Freud. Não se trata de uma lógica regida pela lingüística de Saussure. O modelo lingüístico de Saussure propõe uma relação arbitrária do signo lingüístico; em que significado e significante se complementam; um correspondendo ao outro. A partir do que postula Lacan; o que se observa é a supremacia do significante; que abre a rede de significados; permite e engendra esta rede. Em Freud; o inconsciente aparece falando através dos sonhos; dos chistes; dos atos falhos; ou seja; o inconsciente é escutado por ele nisso que o sujeito fala; ainda que afirme não ter intenção de dizer o que disse. Pois se trata; enfim; do sujeito do inconsciente. Este sujeito descortinado por Freud com a psicanálise é a grande ruptura com o saber então vigente: sujeito do inconsciente; possuído e determinado por esse inconsciente que fala; e que Freud propõe-se a fazer falar. Ao colocar a questão do sujeito; Freud não está discutindo um dualismo mente/corpo; psicológico/orgânico; trata-se de um sujeito que nasce sob o signo do conflito; constituindo-se sob os efeitos dessa divisão consciente/inconsciente. Falar de sujeito do inconsciente não deve significar colocar o psiquismo para a esfera do sujeito; restando o corpo como um resto; resto orgânico. Seria isto estar apenas do outro lado de uma prática que visa essencialmente à organicidade; descartando aquilo que é da ordem da subjetividade. Enfim; não está a psicanálise a serviço de um psiquismo desencarnado; de um sujeito sem corpo. Mas é preciso; então; que se fale disso. O objetivo deste trabalho é estudar as questões acerca do corpo que comparecem cotidianamente em nossa prática clínica. Esta pesquisa se propõe a buscar e estudar conceitos que permitam acolher este “sujeito de corpo e alma”; sujeito dividido certamente; mas divisão que deve ser tomada na dimensão do consciente/inconsciente; e nunca na cisão equivocada psiquismo/corporeidade; que acaba por produzir um sujeito parcial; mutilado. Esta pesquisa pretende buscar um estatuto positivo do corpo; que agregue concepções visando potencializar a escuta clínica no campo da psicanálise; bem como alargar as possibilidades de diálogo com práticas afins. As questões suscitadas pelo tema que nos propomos estudar; assim poderiam ser sintetizadas: ? De que corpo se trata na clínica; que fundamentalmente fala? ? Ao operar a partir do significante; que lugar a psicanálise reserva ao corpo e qual a posição do analista diante dele? ? Como conceituar este corpo; a partir do sujeito que fala? Para desenvolvê-lo; articulamos os seguintes capítulos nesta dissertação: No capítulo 1; “A construção do eu e a imagem do corpo”; exploramos a apreensão da imagem do corpo considerando o enlaçamento dos registros real; imaginário e simbólico nos primeiros textos de Lacan; especialmente a partir do experimento do buquê invertido apresentado no Seminário 1. Algumas questões se apontam a partir deste capítulo: na psicose; como opera o corte simbólico no corpo? E ainda: de que estamos falando; quando nos referimos ao real do corpo? No capítulo 2; “Do c

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UERJ/PSICANÁLISE
  • Área de Conhecimento: PSICOLOGIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2006
  • Tamanho: 469.09 KB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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