O Centauro E A Pena: Luiz Carlos Barbosa Lessa (1929-2002) E A Invenção Das Tradições Gaúchas – Jocelito Zalla

O Centauro E A Pena: Luiz Carlos Barbosa Lessa (1929-2002) E A Invenção Das Tradições Gaúchas – Jocelito Zalla
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Resumo:

A presente pesquisa visa a construir uma biografia histórico-intelectual do folclorista; militante tradicionalista e escritor sul-rio-grandense Luiz Carlos Barbosa Lessa (1929-2002). O objetivo do trabalho é analisar sua trajetória intelectual e sua obra para acessar o processo de construção/atualização das representações sociais sobre a figura do gaúcho pampiano e a elaboração de projetos coletivos de identidade regional e de “invenção de tradições” nela baseados; desenvolvidos; principalmente; na segunda metade do século XX. Apresento; primeiramente; algumas considerações sobre o tripé teórico que baliza a análise: o conceito de representação; segundo as considerações de Pierre Bourdieu e Roger Chartier; fundamenta a forma de ler a construção social da realidade; a noção de tradição; a partir da avaliação da proposta de Eric Hobsbawm; ilumina o papel dos símbolos e dos ritos neste processo; o termo projeto; seguindo a formulação de Gilberto Velho; liga vida e obra; trajetória e teoria; política e identidade. As conclusões mostram que as respostas de Barbosa Lessa; nos anos 1950; para as críticas da geração realista de escritores regionalistas à literatura romântica precedente conciliam ambas as posições no desenho do novo gaúcho a cavalo; possibilitando; de um lado; o “resgate” do mito como base para a reivindicação do amparo social governamental ao campesino rio-grandense e; de outro; o apelo ao “popular” como foco da ritualização efetivada nos palcos dos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs). Em sua intervenção no debate identitário local; Barbosa Lessa incorpora outros sujeitos em sua narrativa sobre a formação social do Rio Grande do Sul e dá voz àqueles grupos calados ou marginalizados; como o negro; a mulher (inventada como prenda; na ética e na estética tradicionalista); o índio e o imigrante. Se o gaúcho pampiano continua sendo o centro de suas atenções; ele acaba costurado e reconfigurado por elementos culturais de origem social e mesmo étnica diversa. Nos final dos anos 1970; inicia-se uma tensão; nas diretrizes da Secretaria de Cultura; Desporto e Turismo do Estado (SCDT); sob direção de nosso personagem; e; a seguir; em seus escritos; entre essa perspectiva agregadora; de inspiração folclorista; e outra tradicional e lusitanista; de inspiração historiográfica. Sua resolução; em favor do primeiro pólo; só se dá com a intervenção de Lessa nos debates internos do tradicionalismo e na defesa do gauchismo em geral das críticas acadêmicas; nos anos 1980. Busco; nesse sentido; atentar para as especificidades do discurso memorialista; que possibilitaram enunciações carregadas de afetividade na conciliação de tradicionalistas com os dissidentes nativistas e na contenda com os intelectuais universitários. Assim; de um Rio Grande luso e brasileiro “agauchado” pelo meio; chegamos; em seu projeto; a outro Rio Grande plenamente “gaúcho” porque cindido pela diversidade e pela mudança.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFRGS/HISTÓRIA
  • Área de Conhecimento: HISTÓRIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2010
  • Tamanho: 2.64 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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