O Canal Da Piracema Como Sistema De Transposição – Sergio Makrakis

O Canal Da Piracema Como Sistema De Transposição – Sergio Makrakis
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Resumo:

O Canal da Piracema é considerado o maior sistema de transposição para peixes no mundo; ligando o rio Paraná com o reservatório de Itaipu; com extensão de aproximadamente 10 km; para vencer 120 m de desnível. A sua construção foi controversa; pois viabilizou a conexão entre duas províncias ictiofaunísticas distintas. No entanto; poderá ser importante para as espécies migradoras; devido possibilitar o acesso para o reservatório de Itaipu; onde a montante deste as espécies migradoras encontram locais adequados para reprodução e crescimento. Assim; buscou avaliar a ictiofauna presente no canal e possível seletividade; com ênfase para as espécies migradoras de longa distância; procurando determinar se ele apresenta as características desejáveis de um facilitador. Além disso; avaliou a taxa de ascensão; a função de perigo e uma abordagem preditiva. O Canal da Piracema mostrou-se difícil de ser amostrado; devido a sua elevada heterogeneidade ambiental; com lagos; escadas e canais; o que levou a utilização de diversos aparelhos de pesca; adequados aos diversos biótopos. Os dados foram coletados entre abril de 2004 a maio de 2005; sendo os peixes amostrados em 11 estações (divididas em 5 segmentos). A análise de sobrevivência foi utilizada para avaliar a ocorrência longitudinal de eventos; a taxa de ascensão nos segmentos; a função de perigo para quantificar o risco instantâneo e a técnica de regressão de máxima verossimilhança para desenvolver modelos preditivos para 4 espécies: Leporinus elongatus; Pimelodus maculatus; Prochilodus lineatus e Rhaphiodon vulpinus. Covariáveis hidrológicas e morfológica (comprimento total do peixe) foram avaliadas; considerando os valores médios; máximos e desvio padrão de dados estimados (velocidade do fluxo; declividade; profundidade) e obtidos (velocidade do fluxo) ao longo dos cinco segmentos. A ictiofauna presente segue o padrão para a América do Sul e rio Paraná; com amplo domínio de Characiformes e Siluriformes; sendo Characidae; Anostomidae; Pimelodidade e Loricariidae as famílias mais representativas. Ao todo foram capturadas 117 espécies; 16 são consideradas migradoras de longas distâncias. Nas regiões litorâneas estruturadas e não estruturadas do canal (amostradas com redes de arrasto e pesca elétrica); as capturas restringiram as espécies forrageiras; sendo as mais representativas Bryconamericus exodon e Apareiodon affinis. Nas áreas lênticas (amostradas com redes de espera) houve predomínio de cascudos – Hypostomus spp.; seguidos de Iheringychthys labrosus. Nas áreas lênticas profundas (amostradas com espinhel); a espécie mais capturada foi Hoplias aff. malabaricus. Nas áreas de águas rápidas (amostradas com tarrafas) houve maior captura de espécies migradoras de longa distância; sendo Prochilodus lineatus e Leporinus elongatus as mais capturadas. Para as 4 espécies migradoras avaliadas; as quantidades amostradas e a função ascensão decresceram inversamente com os segmentos; com taxas de decréscimo variáveis; enquanto que a função de perigo flutuou irregularmente com tendência de aumento nos segmentos superiores. Para os modelos preditivos a velocidade máxima do fluxo medido proporcionou o melhor ajuste; sendo também a escolhida; devido a possibilidade da redução das velocidades da água no Canal; para melhorar sua eficiência. As distribuições diferiram entre as espécies; sendo que o modelo Gamma padrão forneceu o melhor ajuste para L. elongatus; Weibull para P. maculatus e P. lineatus e Log-logistic para R. vulpinus. A redução acentuada; no sentido de jusante a montante; inclusive das migradoras; indica que o Canal está sendo seletivo; entretanto; para este facilitador; certa seletividade é recomendada; para evitar que espécies exclusivas de jusante subam para os trechos superiores; o que seria introdução de novas espécies. Os modelos; então; apresentaram-se eficazes na predição da ascencao; identificando as velocidades adequadas para cada espécie. Porém; antes de adotar qualquer mudança do Canal da Piracema; será fundamental obter os resultados das demais espécies migradoras e seus modelos probabilísticos; bem como; com outras variáveis hidrológicas ou morfológicas dos peixes que possam estar limitando a ascensão. Assim; é necessária a ampliação da avaliação da sua eficiência; no contexto da biocenose e os possíveis impactos; buscando utilizá-lo adequadamente; como um dos instrumentos de manejo racional dos estoques pesqueiros da bacia do rio Paraná.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UEM/ECOLOGIA DE AMBIENTES AQUÁTICOS CONTINENTAIS
  • Área de Conhecimento: ECOLOGIA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2007
  • Tamanho: 562.64 KB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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