O Barulho Da Terra: Nem Kalunga Nem Camponeses – Rosy De Oliveira

O Barulho Da Terra: Nem Kalunga Nem Camponeses – Rosy De Oliveira
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Resumo:

Nesta tese analiso a intrincada história que se passou em Tocantins e que diz respeito à questão da terra e aos processos identificação de grupos classificados como “comunidades remanescentes de quilombo” a partir dos critérios estabelecidos na Constituição Federal de 1988. Os Kalunga do Mimoso; em Tocantins; não foram incluídos no mesmo processo identificatório de seus parentes de Goiás. As famílias do grupo Kalunga de Goiás se reconheceram como remanescentes de quilombo e conquistaram a titulação da terra; em 1998. As famílias do grupo que estudei nos agrupamentos Kalunga do Mimoso; em Tocantins; não foram incluídas no mesmo processo identificatório de seus parentes de Goiás; porque muitos deles não se reconheciam e nem se autodeclaravam como negros; nem como remanescentes de quilombolas naquela altura. Cheguei à conclusão de que a razão prática para esta recusa em se assumir como negros quilombolas; ou remanescentes de quilombos; residia no fato de que alguns tinham; ou acreditavam ter; a posse legal; ou propriedade privada; de seus lotes de terra; através de escritura passada em cartório. Neste caso; receber ou assumir a designação de descendentes de quilombolas significaria perder a posse da sua terra; em troca da posse coletiva do território; inviabilizando uma possibilidade futura de venda ou negociação da propriedade particular. Também conclui que havia uma razão simbólica para aquela recusa: o medo de perder aquilo que acreditavam ter herdado de seus ascendentes; como as fontes de água; as terras sagradas dos cemitérios e as árvores. Havia; ainda; a necessidade de abrir mão de sua maneira particular de lidar com os grileiros e fazendeiros locais. O reconhecimento do grupo como remanescentes de quilombo — por meio de laudo antropológico por mim elaborado e protocolado junto às instituições públicas do estado —; confirmou seus temores; pois; quando conseguiram a identificação legal; o drama social vivenciado pelas famílias desse grupo tornou-se mais acirrado. Ao assumir a identidade quilombola; o patrimônio do grupo passou a ser ainda mais ameaçado pela ação dos grileiros e fazendeiros; que se diziam proprietários daquela área.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFRJ/SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA
  • Área de Conhecimento: ANTROPOLOGIA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2007
  • Tamanho: 6.88 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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