Medidas De Nasalância Da Fala De Crianças Com Fissura Lábio-Palatina E Sua Correlação Com O Julgamento Perceptivo-Auditivo Da Nasalidade – Luciana Silva

Medidas De Nasalância Da Fala De Crianças Com Fissura Lábio-Palatina E Sua Correlação Com O Julgamento Perceptivo-Auditivo Da Nasalidade – Luciana Silva
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Resumo:

Este estudo teve como objetivo correlacionar medidas de nasalância e nasalidade da fala de 79 crianças de ambos os sexos; com idades entre 4 e 9 anos (média 6;5 anos); falantes do Português brasileiro; com fissura unilateral de lábio e palato operada; operadas do palato entre 12 e 18 meses de idade. Todas as crianças já apresentavam avaliação perceptivo-auditiva da nasalidade; avaliação nasométrica e gravação de áudio realizadas previamente realizadas no (HRAC-USP). Das gravações de áudio pré-existentes foram selecionadas para este estudo as palavras: “papai” e “bebê”; e as sentenças “Papai pediu pipoca” e o “O bebê babou”. Apesar de já existir no prontuário de cada criança uma avaliação perceptivo-auditiva indicando que as mesmas apresentavam hipernasalidade em grau leve; moderado ou severo; as amostras deste estudo; gravadas simultaneamente à nasometria; foram novamente julgadas por três fonoaudiólogas experientes. Para o julgamento perceptivo as fonoaudiólogas deveriam classificar a nasalidade por meio de uma escala de 4 pontos (1 = nasalidade normal; 2 = hipernasalidade leve; 3 = hipernasalidade moderada e 4 = hipernasalidade severa). Os valores atribuídos aos julgamentos obtidos pelas três fonoaudiólogas variaram de 1;0 a 3;3; tanto para as palavras como para as sentenças. Considerando o valor de corte de 1;5 para o julgamento perceptivo da nasalidade; 50 (63%) das crianças tiveram médias iguais ou abaixo de 1;5 e 29 (37%) tiveram médias acima deste valor; para o julgamento da palavra “papai”. Para “bebê”; 46 (58%) tiveram médias iguais ou abaixo de 1;5 e 33 (42%) médias acima deste valor. Para a frase “Papai pediu pipoca” 42 (53%) tiveram médias iguais ou abaixo de 1;5 e 37 (47%) tiveram médias acima deste valor. Para a frase “O bebê babou” 43 (54%) dos indivíduos tiveram médias iguais ou abaixo de 1;5 e 36 (46%) médias acima deste valor. Os resultados ainda evidenciaram uma sensibilidade de 44% do nasômetro em identificar hipernasalidade para a palavra “papai”; de 23% para a palavra “bebê”; de 45% para a frase “Papai pediu pipoca” e de 30% para a frase o “O bebê babou”. Quanto à especificidade; foram encontrados os resultados de 70% para “papai”; 93% para “bebê” ; 81% para “Papai pediu pipoca” e 92% para “O bebê babou”. Os valores médios de nasalância obtidos neste estudo foram: 24% para a palavra “papai”; 39% para bebê; 32% para “Papai pediu pipoca” e 39% para “O bebê babou”. Concluímos com nosso estudo que a correlação entre nasalância e nasalidade em uma amostra de crianças com ressonância de fala variando entre normal e hipernasal leve é baixa; principalmente quando se utiliza estímulos de fala curtos com predomínio de uma única consoante. Sugerimos que estudos futuros que tenham como objetivo correlacionar nasalância e nasalidade utilizem estímulos de fala mais longos; com diferentes contextos fonéticos. Além disso; o controle de variáveis que possam influenciar no julgamento perceptivo auditivo da nasalidade como ronco nasal; emissão de ar nasal; presença de articulações compensatórias deveriam ser consideradas. Sugerimos ainda; que o valor de corte seja estabelecido para cada amostra de indivíduos; pois o que pode ser bom para uma amostra; pode não ser bom para outra.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: USP/FOB/FONOAUDIOLOGIA
  • Área de Conhecimento: FONOAUDIOLOGIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2007
  • Tamanho: 340.04 KB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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