Interferência Da Galectina-3 No Curso Da Infecção Por Paracoccidioides Brasiliensis – Luciana Pereira Ruas

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Resumo:

Galectina-3 é proteína membro de uma família de lectinas animais ligante de ‘beta’- galactosídeos; cuja atividade pró-inflamatória é conhecida. A expressão de galectina-3 por células do sistema imunitário; seu papel modulador da adesão célula-matriz extracelular; bem como de atrair macrófagos e monócitos fazem desta lectina candidata a reguladora da resposta inflamatória e imune. Os poucos estudos sobre galectina-3 e resposta imunitária e/ou inflamatória foram realizados in vitro. O papel dessa lectina in vivo; em processos patológicos e fisiológicos; é pouco estudado. Durante a infecção por Paracoccidioides brasiliensis; a imunidade celular corresponde ao principal mecanismo de defesa do hospedeiro. Células fagocíticas ativadas são fungicidas e leveduras que escapam da destruição suscitam resposta inflamatória granulomatosa. A formação de granulomas compactos colabora para a contenção do fungo e evita sua disseminação. O desencadeamento de uma resposta imune celular adequada; caracterizada pela produção de citocinas de padrão Th1 e formação de granulomas compactos é protetora na infecção por P. brasiliensis. Tal quadro nos motivou a investigar um possível papel para a galectina-3 no curso da paracoccidioidomicose experimental. Inicialmente investigamos se a formação de granulomas nos pulmões de animais C57B1/6 relacionava-se com a maior expressão de galectina-3 pelas células inflamatórias. Estudo cinético mostrou haver associação direta entre o número de granulomas formados e detecção de galectina-3 no tecido. A partir do 150 dia de infecção o pulmão dos animais apresentava acentuado número de granulomas e maior detecção de galectina-3. Assim; períodos subseqüentes a 15 dias de infecção foram utilizados para a análise de alguns aspectos da doença em animais nocauteados do gene da galectina-3 (gal-3KO). Camundongos gal-3KO infectados; em todo o período analisado; apresentaram menor resposta inflamatória no fígado; caracterizada pela formação de granulomas de menor tamanho e em menor número; em comparação aos formados no figado do animal WT. A menor resposta inflamatória observada nos animais gal-3KO acompanhou-se de maior recuperação hepática de leveduras. Avaliamos se a produção de citocinas também sofria interferência da ausência de galectina-3. Células esplênicas de camundongos gal-3KO infectados com P. brasiliensis secretaram níveis maiores de IL-12p40 do que células de camundongos selvagens; também infectados. Intrigantemente; a despeito da alta produção de IL-12; os níveis de IFN-‘gama’ produzidos por células esplênicas de animais gal-3KO foram similares aos produzidos por células de WT infectados. Isso sugere que galectina-3; direta ou indiretamente; regule a produção de IFN-‘gama’ por células T e NK; após a infecção. A isotipagem de anticorpos séricos específicos para o fungo; em ambas as linhagens de camundongos; aos 30 dias de infecção; revelou que os animais gal-3KO apresentaram níveis significativamente maiores de IgG1 – que caracteriza um padrão Th2 de resposta imune – do que os detectados no soro de animais WT. Já em camundongos WT foram detectados níveis similares de IgG1 e IgG2b; denotando um padrão misto de resposta. Assim; a ausência de galectina-3 parece ter inclinado um padrão misto para um padrão Th2 de resposta à infecção por P. brasiliensis. Respaldados por recentes relatos de que a ausência de galectina-3 altera o padrão de resposta imune na asma e na toxoplasmose; concluimos que a deficiência de galectina-3 altera a resposta imunitária na paracoccidioidomicose; interferindo tanto na resposta inata (inflamatória) como a resposta adaptativa (produção de citocinas e anticorpos). Postulamos que a interferência exercida por galectina-3 varie em função do modelo de infecção e/ou inflamação utilizado e que maiores investimentos em estudos com animais deficientes para o gene da galectina-3 sejam necessários para melhor compreensão dos mecanismos que governam os padrões de resposta.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: USP/RP/IMUNOLOGIA BÁSICA E APLICADA
  • Área de Conhecimento: IMUNOLOGIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2005
  • Tamanho: 2.46 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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