Corpo, Educação E Reificação: Theodor W. Adorno E A Crítica Da Cultura E Da Técnica – Jaison José Bassani

Corpo, Educação E Reificação: Theodor W. Adorno E A Crítica Da Cultura E Da Técnica – Jaison José Bassani
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Resumo:

O corpo e suas expressões se colocam como tema não apenas sob a forma de notas marginais na filosofia de Theodor W. Adorno; mas conformam uma constelação por meio da qual o autor compreende a história da subjetividade e da civilização ocidental. As questões relacionadas ao corpo adquirem também uma forte presença nos escritos de Adorno mais diretamente relacionados com a problemática educacional; vários deles reunidos no livro Erziehung zur Mündigkeit (Educação e emancipação). A presente tese de doutorado tem como objetivo investigar a dimensão pedagógica que o corpo adquire na obra do filósofo frankfurtiano; a partir do desdobrando de uma de suas principais assertivas sobre a temática presente no clássico texto Educação após Auschwitz: se toda a vez em que a consciência é mutilada (reificada – verdinglichten) as conseqüências se refletem sobre a dimensão somática de uma maneira não-livre e propícia à violência e à crueldade; como afirma Adorno; perguntamos então se a questão não pode ser; nos marcos de seu próprio pensamento; recolocada em outra dimensão: em que medida uma relação não patogênica com o corpo pode indicar uma consciência não reificada; uma subjetividade não danificada. Desse contexto emerge a relação entre corpo; técnica e produção da consciência reificada; elementos que se combinam de diversas formas na obra de Adorno; mas que encontram seu desiderato na crítica à ambigüidade do progresso; manifestada predominantemente no desenvolvimento científico e tecnológico; no aperfeiçoamento da divisão social do trabalho; e na evolução dos meios de comunicação de massa. Expressão da possibilidade permanente da catástrofe; inscrita no seio do próprio progresso; o crescente processo de tecnificação das pessoas no contemporâneo; seu papel no declínio da experiência (Erfahung); no embrutecimento do sujeito; no desaparecimento de quaisquer vestígios de particularidade e na conformação de uma determinada pedagogia dos gestos e do corpo; são lidos no contexto dessa investigação como índice da violência arcaica contra a natureza; que simultaneamente se materializa; retroage e se perpetua na relação distorcida do homem com o próprio corpo. Ao aprofundarmos a relação entre corpo e técnica no marcos do conceito de domínio da natureza no pensamento de Adorno; como desdobramento do objetivo acima exposto; a técnica é interpretada como uma espécie de segunda natureza; não como humanização; mas sim como catástrofe – conceito central na filosofia da história de Adorno -; que engendraria um profundo processo de esquecimento do nosso passado; da nossa relação de compartilhamento com a natureza; ao mesmo tempo em que sua força proviria justamente desse esquecimento. A técnica seria; então; uma forma racional de organizar e potencializar uma relação de severidade e de domínio absoluto sobre o próprio corpo – temas; a propósito; recorrentes nas reflexões de Adorno sobre a educação. O refinamento trazido pelo aparato tecnológico e a instrumentalidade corporal acabariam se convertendo em mediadores da perversa equação de celebração e de desprezo; de amor-ódio pelo corpo. Dito de outra forma; o domínio e a manipulação instrumental da natureza; para a qual a técnica é fator indispensável; acabaria levando inexoravelmente à instrumentalização do humano; assim como a conversão daquela em matéria bruta; em puro objeto; conduziria não apenas a reificação das relações sociais; mas também a conversão da naturalidade primária do humano; seu corpo; em algo de morto. Objetivando estabelecer melhores contornos à critica de Adorno à técnica; freqüentemente enquadrada entre aquelas de matriz romântica e saudosista; a pesquisa debruça-se também sobre a obra do espanhol José Ortega y Gasset; pensador que também destina à técnica; enquanto índice da crítica que faz à cultura e à sociedade contemporânea de sua época; importante fração de sua obra. Embora Adorno e Ortega possuam pontos em comum na leitura que fazem do progresso técnico da sociedade ocidental; como; por exemplo; o eixo antropológico de suas análises e o papel destinado ao pensamento e à filosofia no enfrentamento ao existente; há profundas diferenças teórico-metodológicas em suas formulações. Ortega y Gasset descreve aspectos negativos do cientificismo; da mecanização e da cultura de massas – temas intimamente relacionados com o desenvolvimento da técnica -; mitigando as conseqüências seja através da ênfase renovada em torno de velhos ideais ou da indicação de novos objetivos a serem alcançados sem o risco de uma transformação radical das relações sociais. Adorno; por sua vez; coloca como centro de sua atividade crítica justamente o progresso linear e infinito; com as devidas e conhecidas ressalvas que o colocam absolutamente fora das fileiras da irracionalidade e do obscurantismo. A dialética do progresso deve ser entendida em sua imanência; ou seja; de verificar o núcleo de verdade na inverdade da dominação.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFSC/EDUCAÇÃO
  • Área de Conhecimento: EDUCAÇÃO
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2008
  • Tamanho: 1.28 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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