A Pesca Artesanal Da Frota De Mosqueiro (Belém- Pará) E O Uso Do Ambiente Pela Dourada (Brachyplatystoma Rousseauxii – Castelnau, 1855) – Diogo Marques Oliveira

A Pesca Artesanal Da Frota De Mosqueiro (Belém- Pará) E O Uso Do Ambiente Pela Dourada (Brachyplatystoma Rousseauxii – Castelnau, 1855) – Diogo Marques Oliveira
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Resumo:

Dentre os entrepostos pesqueiros artesanais do estuário Amazônico; a ilha de Mosqueiro; localizada ao sul da Baía do Marajó; tem importância na atividade pesqueira do Estado e por estar próximo de um terminal de cargas (Terminal de Miramar); a iminência de um desastre ambiental é constante. Entretanto; não existem informações detalhadas sobre a produção pesqueira nesta área e nem tão pouco do uso que espécies com importância comercial desembarcadas na ilha; como a dourada (Brachyplatystoma rousseauxii); utilizam este ambiente. Com o objetivo de descrever a atividade pesqueira e o uso do ambiente pela dourada; foram acompanhados os desembarques na ponte do Cajueiro (Mosqueiro) no período de dezembro de 2005 a novembro de 2006. Adicionalmente foram realizados cadastros das embarcações pesqueiras utilizando-se fichas especializadas e coletores treinados da própria comunidade. O índice de abundância relativa CPUE (kg/viagem) foi utilizado para identificação da concentração das espécies mais importantes e seu período de safra; dinâmica da frota; principais pesqueiros e renda. Quanto à dourada; 30 exemplares foram coletados junto à pesca comercial de Mosqueiro no período de dezembro de 2005 a agosto de 2006. Os exemplares foram pesados e medidos e as gônadas foram retiradas com o objetivo de se avaliar o uso do ambiente para reprodução. Foram cadastradas 128 embarcações pesqueiros sendo os barcos de pequeno porte os mais representativos seguidos das canoas motorizadas. Observaram-se diferenças tecnológicas entre as categorias de embarcações; exceto quanto ao comprimento do barco; produção média mensal e a capacidade da urna. As embarcações de médio porte apresentaram maior número de tripulantes e dias pescando; contudo realizam menor número de viagens por mês em relação às outras categorias. As redes de emalhar são as artes de pesca mais utilizadas na área; sendo as malhas de maior ocorrência as de 50; 60 e 70 mm (entre nós opostos). Os barcos de médio porte possuem os maiores comprimentos de rede em relação às outras categorias. As principais espécies capturadas foram a pescada branca (Plagioscion squamosissimus); a pescada curuca (Plagioscion surinamensis); a dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e a sarda (Pellona spp.). Durante o período de estudo; as embarcações da ponte do Cajueiro atuaram principalmente em pesqueiros próximos a ilha de Mosqueiro durante o período de safra das principais espécies (de maio a dezembro) e se deslocando para a região de Marudá durante a entresafra (janeiro a abril) seguindo; principalmente; os cardumes de dourada. Os períodos de maior abundância relativa foram o primeiro e quarto trimestre para as canoas motorizadas e os barcos de pequeno porte respectivamente. Os pesqueiros de Ponta Fina e Areia do Cotijuba apresentaram as maiores abundâncias relativas anuais com a captura principal de dourada e pescada curuca; respectivamente. A dourada foi regular durante todo o ano com maior abundância em Ponta Fina e em dezembro. A pescada curuca apresentou maior abundância em Areia do Cotijuba e pico ocorrendo no mês de setembro enquanto que a pescada branca apresentou maior abundância em Marudá (98 kg/viagem) com pico ocorrendo em setembro. A sarda ocorreu com abundância em Enseada e pico em junho. Na ilha de Mosqueiro foi estimada uma produção de aproximadamente 1.000 toneladas de peixes capturados; gerando uma renda aproximada de R$ 3 milhões para o distrito. Os barcos de pequeno porte contribuíram com 42% da produção total e com 61% da renda. A pescada branca contribuiu com 26% da produção total e a dourada contribuiu com 35% da renda; sendo considerada o recurso mais rentável na ilha. Quanto à dourada; os indivíduos amostrados mediam de 27 a 100 cm de comprimento total; sendo a maior ocorrência de indivíduos ocorrendo na classe de 50 a 60 cm. A proporção sexual foi favorável as fêmeas (1:2;2 macho:fêmea) que foram mais numerosas na maioria das classes de comprimento e em todos os meses; exceto em fevereiro. Á área de mosqueiro não se configura como uma área de reprodução para a espécie; mas caracteriza-se como uma área de berçário e alimentação. No caso de um possível desastre ambiental acarretaria uma perda de aproximadamente 1.000 toneladas de pescado e de uma renda de R$ 3 milhões no setor pesqueiro da ilha de Mosqueiro. Adicionalmente; um impacto ambiental nesta área poderia afetar principalmente a população jovem de dourada causando assim efeitos danosos à longo prazo no que se diz respeito à captura e rentabilidade da área.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFPA/CIÊNCIA ANIMAL
  • Área de Conhecimento: ZOOTECNIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2007
  • Tamanho: 13.06 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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