O Gatinho Sem Dono

Por Gustavo Peregrino

Sobre o livro

Certa vez, voltando para casa, me deparei com um gato deitado na frente do portão. Por um lapso de tempo, achei que fosse minha gata, por possuir as mesmas cores. Mas logo percebi que o tamanho e o padrão das cores eram diferentes dela.

Era ele, o gato sem dono que roubava comida dos meus gatos, todos os dias. Eu sempre o deixava comer um pouco. Ele era apressado (ainda é), comia muito depressa. Depois eu aparecia e o deixava que me visse. Me encarava assustado e corria.

Quando já estava fora de alcance, eu permitia que meu cachorro viesse. E repetia para o gato fujão “você precisa ter cuidado, aqui tem cachorro. Não aparece assim ‘do nada'” – parece, até, que me entendeu, agora ele anuncia cada passo que dá. Esse gato, no chão deitado, mais uma vez me encarou.

E tentou fugir. Suas pernas não funcionavam. Ele se arrastou e se escondeu. Fiquei atônito e chocado. Corri para avisar minha família, mas não o encontramos. Ele sumiu por dias. Minha mãe o encontrou, onde hoje ele mora, muito ferido e muito magro. Mais algum tempo e ele não teria chances.

Nem ele teria chances. Foi atendido por uma veterinária muito amiga – alguém que ama muito aqueles que cuida. Ela o levou e o trouxe diversas vezes. Foram muitas cirurgias e muitos problemas em suas pernas. Ele não andava.

Depois de muitos remédios, injeções – a pele dele se tornou tão dura que era preciso força para aplicar os medicamentos – e, até, uma raspagem na pele das pernas, que derretia com o calor, começou a mostrar melhoras. Mas não eram simples melhoras. Não. Ele não é um gato simples.

Melhorou a ponto de se tornar um campeão! Seus braços se tornaram fortes, passou a correr e pular usando apenas as patas dianteiras. Não bastando isso, tentou se tornar o líder, o alfa, dentre os demais gatos e se tornou agressivo com eles. Foi assim que tivemos que mantê-lo separado dos demais.

Só que ele não é um gatinho qualquer. Voltou a ter um pouco dos movimentos das pernas! O gato vira-lata se tornou um gato lindo, que sabe oferecer a barriga no momento certo, pra conquistar qualquer pessoa. Seu nome? Eu chamei de Ruffles. Sim, como a batata (apesar de muitos relutarem na pronúncia).

A trajetória dele é muito triste. Mas é o gatinho mais forte que já conheci. Um verdadeiro campeão.

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