Sobre o livro
O Elo do Tempo é uma narrativa que articula horologia, alquimia e cosmologia para investigar a natureza do tempo para além da linearidade cronológica.
A obra acompanha Rubens e Mirian, dois horologistas e viajantes de travessias transcendentais, cuja relação com um artefato singular — o relógio Aión — os conduz a estados nos quais o tempo deixa de ser apenas medida absoluta, cronometrada ou relativa, e passa a manifestar-se como princípio primordial, multidimensional e como um limiar ontológico.
Utilizando a alquimia como abordagem simbólica e operacional, Rubens e Mirian percorrem diferentes épocas da história, desvendando os segredos da medição do tempo desde os períodos pré-cronológicos, quando a percepção temporal era essencialmente climática, até concepções e dispositivos projetados para o futuro.
Reconhecendo que, segundo a física contemporânea, o passado é inalcançável e que a viagem no tempo é impossível, a obra propõe a transmutação temporal por meio de um azoth alquímico acoplado a um relógio, associado à syzygy, a energia vital descrita por Carl Jung como presente, de forma incorpórea, em todos os seres humanos.
Entre relojoeiros, artífices e guardiões do conhecimento astronômico, a narrativa percorre a evolução histórica dos instrumentos de medição do tempo: Quadrante, relógios de sol, de vela, ampulhetas, clepsidras, astrolábios, relógios de torres, de mesa e de bolso, autômatos, cronômetros, relógios elétricos, magnéticos e atômicos, além de concepções futuristas como o cronocêntrico.
O tempo surge, assim, não como mera sucessão de instantes, mas como um campo de transmutação cosmológica, no qual passado, presente e futuro se interpenetram, dissolvendo a noção estrita de causalidade linear.
Ao longo dessas travessias, Rubens e Mirian interagem, juntos e separadamente, com grandes inventores e pensadores que moldaram a compreensão do tempo, entre eles Peter Henlein, Christiaan Huygens, Joost Bürgi, Isaac Newton, Albert Einstein, Platão, Heráclito, Ctesíbio, Al-Jazari, Giovanni Dondi, Athanasius Kircher, Richard de Wallingford, Tycho Brahe, Jacques de Vaucanson, Pierre Jaquet-Droz e David Bohm, cada qual revelado em seu contexto histórico, técnico e filosófico.
Inspirado por tradições filosóficas, alquímicas e faustianas, O Elo do Tempo questiona o Big Bang enquanto criador absoluto do tempo, expressando um tiempo primordial anterior a causualidade, bem como a possibilidade de plenitude no instante presente e os limites do conhecimento humano diante de uma temporalidade que jamais se detém.
Composta por vinte e nove capítulos, a obra combina rigor histórico com uma exploração ficcional, reflexiva e simbólica da evolução do pensamento temporal, propondo que compreender o tempo é compreender o elo oculto que sustenta a técnica, a civilização, o cosmos e a própria consciência humana.
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