Sobre o livro
* Novembro de 1992
Impulsionado pelos quatro potentes motores Allison o Hércules da Força Aérea Brasileira percorreu a pequena pista do aeródromo de Luzamba, e decolou com destino à Namíbia, onde iria pousar após três horas e meia de voo.
Era final de tarde do terceiro dia da invasão dos guerrilheiros da UNITA à Vila de Luzamba. Acomodados a bordo estavam 68 colaboradores expatriados. Partiriam sem suas bagagens.
Essas permaneceriam amontoadas sobre as caçambas de “camiões” parqueados ao lado da pista de pouso; uma derradeira e brilhante decisão que antecedeu a partida.
Funcionariam como um salvo conduto adicional, pois a montanha de bagagens disponíveis para imediata pilhagem, representava um grande atrativo para a guarda armada e para os populares. Atrativo bem maior que a saída apressada dos estrangeiros… Eram os últimos a abandonar Luzamba.
Agachados no piso, alguns nos assentos laterais, utilizando o companheiro ao lado como ponto de apoio deixavam atrás, com a poeira levantada, a tensão e o medo das últimas 72 horas. Agora o desconforto e as noites insones pouco importavam.
O Hércules decolou, ganhou altura e, deixando abaixo o povoado do Cuango, tomou o rumo sul para a Namíbia. Em longo silêncio aguardaram a altura segura e o momento da certeza de estar fora do alcance dos improváveis “roquetes” da UNITA. Esperaram pelo momento de superar e esquecer o medo.
Perereca desabou e chorou convulsivamente abraçado aos companheiros. Não ouviu os gritos de alegria nem a explosão da distensão coletiva. Iria voltar a ver e tocar a amada Toinha. Por fim, teve a certeza.
Dezoito meses haviam se passado desde o início da mobilização do Projeto Luzamba.
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