Sobre o livro
“Sou louco por você”… Arfante e simbólica, hipérbole das mais exploradas pela inocência dos jovens amantes. Mas a loucura de existir e amar, de viver, desejar, falar e querer dizer mais, e cada vez mais, sussurrando, recitando, cantando, bradando…
acompanha-nos por todos os caminhos da viagem, do alvorecer ao crepúsculo, do sol de Rá aos baixos mundos de Set. Corria o ano de 1966; as águas turvas e corpulentas do Capibaribe inundando o Recife como nunca dantes; morria Mina Loy; ali eu nascia, gritando.
E cavalgando, atado à crina do tempo, meus poros jorram bálsamos e secreções. Sleipnir, oito patas, cavalo louco, sem rédeas, indomável galopando, levando-me aos confins da Terra. Ah, o vento…
Fantástico escultor, abstrato criador; permeando os séculos, na pedra de Gizé delineou Sesheps; cinzéis apenas deram os toques e retoques finais. Escrever é preciso, em pergaminhos ou ecrãs projetar sentimentos, decifrar mistérios.
Esboçar, lapidar, colecionar talismãs, mas não de olhos mudos, lábios quietos. Com a língua nervosa, até no silêncio o sinistromano alimenta piras e bestiários. Benditos malditos poemas! Ou será o contrário?…
E se daqui a um milênio restar, ao menos, um pedaço das minhas páginas loucas, terei alcançado a dimensão do eterno: alguém ou algo, homem ou máquina, dissecará minha poesia – corpo e vísceras. Gostarão do sabor? Quem sabe?… Afinal, o poema é um ser.
Neste livro, epiderme e entranhas, mansidão e tempestade.
O Autor
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